segunda-feira, julho 31, 2006

Alex Cobi


Minha homenagem ao Alex Cobbinah. Feliz aniversário atrasado! (Foi mal, Alex, não sei usar o Paintbrush.) Muitos beijos, várias saudades.

sábado, julho 29, 2006

Nunca vi mais gordo


O The Guardian tá procurando gente que se pareça com esses caras aí pra um projeto obscuro e saber incidentalmente quão cegas são as pessoas, ou então quão longe vai alguém pra sair com a cara estampada no jornal. Eu infelizmente não pareço ninguém (nem tão infelizmente, os escolhidos não foram tão escolhidos assim), mas a coisa me deu idéia prum projeto meu, o "Are you unlike?", pedindo fotos de pessoas que NÃO se pareçam com esses sujeitos. Sucéssio muito maior. Como diria meu amado chefinho, "Aguardem".

Leia a chamada, traduzida as a matter of fact, e visite o saite, http://www.guardian.co.uk/alike.


"Nós queremos achar pessoas que se pareçam. Se você conhece alguém que se pareça, ou caso você mesmo se pareça, com uma destas quatro pessoas e gostaria de contribuir com nosso projeto, por favor mande um e-mail com uma foto para areyoualike@gmail.com. A pessoa mais parecida com aquelas mostradas aqui será fotografada para uma série única de retratos que será no final publicada no Guardian’s Weekend Magazine. Nós atualizaremos nosso grupo de retratos de tempos em tempos com uma nova série."

quinta-feira, julho 27, 2006

Foi sem querer querendo



Segue tradução de artigo da The Economist a respeito do Jean Charles, assassinado há um ano na estação de Stockwell, em Londres. A Promotoria, por ora, não vai denunciar nenhum policial individualmente por não haver prova suficiente. Uma cabeça esmigalhada à queima-roupa sempre me convenceu o bastante.

Diz-se que os policiais estavam certos que Menezes era um homem-bomba. Você já foi assaltado? Logo depois você não matou um cara a tiros por ter certeza de ele ser um ladrão? Não? Ah, mas tem gente que faz isso. Deve ter. Só sei que demorou uns meses pros meus clientes no restaurante lá em Londres me olharem na cara depois de perguntarem da onde eu era.


Tiro em Menezes

O MAIS INDECENTE*

20 de julho de 2006
Da edição impressa da The Economist

A polícia será processada – mais ou menos


Pareceu absurdo, grotesco até. Os dois policiais de Londres que dispararam sete balas à queima-roupa na cabeça de um brasileiro inocente no seu caminho para o trabalho, há um ano, não serão processados por homicídio doloso nem sequer culposo. Em vez disso, a Promotoria anunciou em 17 de julho que denunciaria a polícia Metropolitana como um todo sob a legislação de saúde e segurança – uma legislação mais comumente associada à fiscalização de restaurantes infestados por baratas. Descrevendo a decisão como “completamente inacreditável”, a família de Jean Charles de Menezes, a vítima de 27 anos de idade, não exclui a possibilidade de uma denúncia privada. Este procedimento raro e custoso foi usado (infrutiferamente) pela família de Stephen Lawrence, um adolescente negro esfaqueado até a morte no sul de Londres em 1993. Aí também a Promotoria dissera não haver provas suficientes para indiciar.

A decisão da Promotoria foi também atacada por outros. Lorde Harris, o presidente do grupo parlamentar sobre policiamento, tachou o uso da lei de saúde e segurança como “um subterfúgio ridículo” que não satisfaria a ninguém. Ken Livingstone, o prefeito de Londres, disse que a al-Qaeda estaria “considerando as implicações da legislação de saúde e segurança quando planejasse suas atividades terroristas”. O presidente da Comissão Islâmica para Direitos Humanos, um grupo de pressão, disse que a recusa em indiciar policiais individualmente demonstrou “o nível de islamofobia na Grã-Bretanha de hoje”. Massoud Shadjareh baseou esta afirmação no fato de a polícia ter tomado Menezes, um católico, por um dos quatro terroristas que haviam tentado explodir o sistema de transporte de Londres um dia antes. Legalmente, no entanto, a Promotoria tinha pouca opção: ela não tinha evidência suficiente para, com segurança, condenar qualquer dos indivíduos envolvidos. Ela julgou que os oficiais tinham acreditado genuinamente que Menezes tinha a intenção de agir como um homem-bomba com intenção de destruir o trem do metrô. A Promotoria chegou a sua decisão depois de ler as descobertas (ainda não publicadas) de uma investigação que durou seis meses a respeito do disparo fatal, feito pela Comissão Independente para Queixas contra a Polícia, a primeira de tais investigações a respeito das novas e controversas orientações que permitem à polícia britânica, normalmente desarmada, atirar para matar – ao invés de incapacitar – em suspeitos homens-bomba.

Sob tais orientações, que se sabe que circularam pela primeira vez em 2003 e que nunca foram tornadas públicas, a polícia anti-terrorista é instruída a mirar na cabeça do suspeito, em vez de seu corpo, a fim de evitar que ele engatilhe seu mecanismo explosivo. Uma análise recente do uso de força letal pela polícia feita pela Associação de Delegados concluiu que as regras eram “convenientes a seu propósito”. Entende-se que a Polícia Metropolitana está fazendo uma revisão em separado da sua própria política de “atirar para matar”.

A Promotoria está agora entrando com representação com base na seção três da Lei de Saúde e Segurança no Trabalho de 1974, a lei usada para processar Balfour Betty e Network Rail pelo acidente de trem acontecido em 2000 em que quatro pessoas morreram. Trata-se, diz David Leckie, um advogado do Maclay, Murray e Spens, de uma ferramenta “robusta”. A lei exige que um empregador “conduza sua função de maneira a assegurar, tanto quanto for praticável, que [terceiros]... não estarão desta forma expostos a riscos a sua saúde ou segurança”. Dificilmente, em um processo penal, o ônus da prova fica com o acusado: a polícia metropolitana terá de demonstrar que tomou todas as medidas “razoavelmente praticáveis” para evitar a morte de Menezes. Ir contra a lei pode sair caro: Balfour Beatty, por exemplo, foi multado em £10 mi ($18 mi), reduzidos com apelação este mês para £7,5 mi. Mas como o acusado é uma companhia ou outra pessoa jurídica – neste caso, o escritório do Chefe da Polícia Metropolitana – ninguém vai para a prisão. A Polícia Metropolitana foi citada em 18 de julho, com uma primeira audiência marcada para 14 de agosto. Mas o julgamento mesmo dificilmente começará antes de seis meses.

Os tribunais terão que decidir se atrasam o processo a fim de permitir uma investigação sobre a morte, uma eventual denúncia privada, ou ambas. Mais atraso é possível se a família decidir pedir uma revisão judicial da recusa da Promotoria em processar oficiais individualmente. Somente no final de toda esta agitação legal é que o público poderá finalmente saber como um homem inocente veio a ser atingido fatalmente sob uma política de atirar para matar usada pela primeira vez fora da Irlanda do Norte.

* O título no original é “most foul”, sendo “foul” usado novamente no artigo quando se diz que ir contra lei pode sair caro (“falling foul of the law can be expensive”). Não consegui manter o jogo de palavras.

sábado, julho 22, 2006

pros brimo




Aos brimo

Falei pra ele não ir, mas o imbecil foi. Queria pegar um dinheiro, ver se conseguia tirar a gente daqui, todos os bancos fecharam; eu disse, Seu estúpido, não vale a pena, faz o que eu te digo UMA VEZ na vida, mas ele foi mesmo assim, o estúpido. Cabeça dura, seu pai. Sempre foi. Veio pra esse país que seu avô não queria nem de graça, em que cada balde de terra chafurda sob outros dois de sangue e merda. Desculpe, filho, não queria dizer palavrão. Não posso fazer menos do sonho dele. Mas é tanta coisa, tanto desconforto, você agora entende. Deixei seus avós lá, mudança de casa, outra língua, estes turcos são diferentes, e eu duvidei tanto, e seu pai insistiu sempre. E no final ele estava certo, a gente não está mal, não estava. A fábrica de móveis estava indo bem, bons sócios, o Mustafá e o Nadir. Eles que se ofereceram pro caixão. Imagina! filho, eles não têm dinheiro nem pra sair daqui com as famílias. Eu não recusei, não tenho como recusar. Seu pai é assim, eu não. O carro de capô vestido de branco, um branco branquinho, me chamou a atenção mesmo, sabe? tão branco, o vento armando o pano, alardeando alvo sob tanto sol. Fizemos isso pra avisar os judeus que nada queremos, como se fôssemos assassinos. Fomos eu, o tio do papai, que pagou o carro pro caixão, os sócios com as famílias deles, e funcionários e amigos, todos atrás daquela noiva que lhe engolira. Viemos pra cá, enterramos seu pai, aqui, do seu lado, pra te fazer companhia. Meu filho, vou deixar de lhe visitar por um tempo, mas lhe deixo meu coração, que é tudo quanto me resta. Sinto muitas saudades suas, filho, mas seu pai agora lhe faz companhia e sigo com tudo quanto amo longe de mim. Este terra tomou meu suor e lágrimas e nada de saciar ou dar fruto. Desisto deste lugar que me comeu tudo. Tomo amanhã o ônibus da embaixada, volto pros seus avós como se isso fosse possível, como se com vocês dois aqui eu pudesse continuar. Meu filho, até logo, cuide de seu pai. Amo vocês dois.


(Reportagem de Eduardo Salgado, que tá dando uma puta cobertura, cf. http://www.estado.com.br/editorias/2006/07/22/int-1.93.9.20060722.11.1.xml)

‘No primeiro dia do que era para ser uma megaoperação, o Itamaraty conseguiu retirar apenas 111 brasileiros do Líbano e da Síria. Um ônibus levando 54 passageiros saiu da frente do consulado brasileiro em Beirute pela manhã e outros dois partiram no meio da tarde de Damasco com 57, ambos com destino à Turquia. Em termos numéricos, a parte mais importante do plano era enviar veículos ao Vale do Bekaa para o transporte de cerca de 1 mil pessoas que estão lá isoladas. O acerto era de que os ônibus sairiam da Síria, entrariam em território libanês na manhã de ontem e voltariam para Damasco, de onde partiriam para a Turquia.

‘Menos de 12 horas antes do horário previsto para a chegada dos ônibus, o Itamaraty cancelou tudo, para o desespero dos brasileiros.

‘Muitos brasileiros que residem no Líbano vivem na região conhecida como Vale do Bekaa. Uma parte deles nasceu ou se naturalizou no Brasil e depois mudou para o Oriente Médio e a outra fica numa espécie de ponte aérea. Ao todo, são entre 4 mil e 5 mil pessoas. Ontem, depois do cancelamento, o clima na região era de total abatimento e desamparo. "Viajar daqui para Beirute eu não vou nem morto", diz Nagib Barakat, filho do brasileiro que morreu quando três mísseis israelenses atingiram sua fábrica de móveis, a Florence, na quarta-feira. A única estrada que restou entre a região e a capital libanesa é de fato perigosa. Na descida para Zahle, duas carcaças de caminhão e um carro destruído ainda estão no mesmo lugar onde foram alvejados na quarta-feira. Ao sul de Zahle, a estrada tem um desvio por causa da bomba que acabou com uma fábrica de vidros, matando cinco pessoas a 2 quilômetros da casa de brasileiros, também na quarta-feira.

‘A situação no vale está longe de se igualar à do sul, mas os ataques têm sido diários desde o começo desta guerra. Um dos mais recentes foi na hora do enterro de Dib Barakat, o pai de Nagib, no cemitério que fica ao lado da casa da família, a menos de 10 quilômetros da fronteira com a Síria. Algumas das poucas pessoas que se arriscam na tentativa de chegar a Beirute amarram lençóis brancos na carroceria dos carros esperando que os pilotos israelenses as poupem. Sem ter coragem ou dinheiro para sair e sem nenhuma autoridade para os resgatarem, os brasileiros do vale perderam as esperanças. Gihad Azanki, o maior organizador da retirada, diz que já desistiu: "Agora só Deus para nos ajudar." Zahra Rada Naddi implora uma resposta: "Por que não nos tiram daqui, o que está faltando, explica para mim, me diz o que é preciso fazer?"’

sexta-feira, julho 21, 2006

História com Fini



"Outre Songe", de Leonor Fini, artista bi nascida na Argentina em 1908, que trocou, muito bem trocado, seu país, como faria qualquer pessoa razoável, por Trieste, cidade italiana na fronteira com a ora hypada Eslovênia. Despirocou pra Parri aos vinte e poucos, onde conheceu, e fez, os surrealistas, não passando de sexo sem limites sua relação com tais sujeitinhos e criou sem se rebaixar a manifesto nenhum. Animal.

quinta-feira, julho 20, 2006

Os brimo tão ferrados


Foto chupinhada da Tribuna da Imprensa. Dá pra ver cirílico lá trás, acaba com "CTBE", "STVE" em nosso querido alfabeto latino, a sigla do movimento dos viados brasileiros libaneses. É um movimento pequeno, é verdade, e seus militantes estão se acabando. Esse aí, pelo menos.

No JN de ontem deu um brimo pedindo pra que o governo brasileiro pedisse trégua de alguns dias para Israel, a fim de que os brasileiros fossem retirados. "Se Israel continuar a tirar a vida de brasileiros, é como se declarasse guerra contra o Brasil." Tá bom, então. Entra na fila, amigo.

o risco de uma guerra nuclear é maior agora do que em qualquer outra época desde a crise dos mísseis de 1962

É o que acha o Timothy Garton Ash, na sua coluna desta quinta-feira, 20/07/2006, no The Guardian, "o" jornal. É meio lugar comum o que ele apresenta neste artigo, mas não custa conferir. Custou a mim, isso sim, traduzir a porra do artigo, mas pelo menos tenho algo pra fazer. Vale a pena conferir o saite do jornal, como sempre, mas em especial o original do artigo porque alguns dos comentários são bem escritos. Eu, particularmente, acho essa de "EUA nunca perderam guerra" escroto, no mínimo, por que perderam a guerra no Vietnã, sim sr. E Austrália não é nenhum coala de pelúcia não, tentando chupar as reservas do Timor Leste. Mas dá uma olhada aí.

Líbano, Coréia do Norte, Rússia... aqui está a nova desordem multipolar mundial

O momento unipolar da supremacia americana passou. Mas a nova multipolaridade pode vir a se mostrar-se bem desagradável, de verdade

TGA em StanfordQuinta-feira, 20 de julho de 2006. The Guardian (http://www.guardian.co.uk/Columnists/Column/0,,1824515,00.html)

Bem-vindo(a) à nova desordem multipolar mundial. O estado de Israel agora está em guerra com o Resbolá, mas não com o estado do Líbano. O estado libanês não controla seu próprio território. O Irã influencia fortemente, mas não controla, o Resbolá. Refrescada pelo seu triunfo no encontro do G8 em São Petersburgo, a Rússia provavelmente tem as relações mais próximas com a Síria (para a qual fornece armas) e o Irã do que qualquer outra das potências do G8. A China também tem dedo aí, assim como as potências líderes da União Européia – que mais uma vez falharam em agir em uníssono como união Européia. Os EUA possuem as mais poderosas forças armadas que o mundo já viu, e como elas estão sendo utilizadas? Para evacuar seus cidadãos do Líbano. Se a Secretária de Estado dos EUA, Condoleeza Rice, conseguir negociar um fim à briga, só o fará através de diplomacia multilateral complexa.

Então, bem-vindo(a) à nova desordem multipolar – e adeusinho ao momento unipolar da aparentemente insuperável supremacia americana. O hiper-poder! A mega-Roma! Lembra-se disso? “Momento” acaba tendo sido a palavra certa: um breve episódio entre o fim do velho mundo bipolar da guerra fria e o início do novo mundo multipolar do século 21. Esta nova multipolaridade é o resultado de, pelo menos, três tendências. A primeira, e mais familiar, é o surgimento ou renascimento de outros estados – China, Índia, Brasil, Rússia como filho pródigo – cujos recursos de poder competem com os das potências estabelecidas do Ocidente. A segunda é o crescente poder dos atores não-estatais. Estes são dos mais diferentes tipos. Eles variam de movimentos como o Hamas, o Resbolá e a Al-Caeda, a organizações não governamentais como o Greenpeace, das grandes corporações de energia e companhias farmacêuticas a regiões e religiões. Uma terceira tendência envolve mudanças na própria “moeda” do poder.

Avanços de tecnologias com potencial violento representam que grupos muito pequenos de pessoas podem desafiar estados estabelecidos poderosos, seja pilotando um avião contra o World Trade Centre em Nova Iorque, direcionando um míssil para Haifa, enfrentando as forças armadas dos EUA no Iraque, explodindo o metrô de Londres, ou esguichando gás sarin numa passagem subterrânea de Tóquio. Avanços da tecnologia da informação e da mídia globalizada representam que as forças armadas mais poderosas da história do mundo podem perder uma guerra, não no campo de batalha de poeira e sangue, mas no campo de batalha da opinião mundial. Se você olhar para o brusco declínio da popularidade dos EUA desde 2002, mapeado pelas pesquisas de opinião da Pew Global Attitudes até em países tradicionalmente simpáticos a Washington, você poderia argumentar que é isso que vem acontecendo com os EUA.

O efeito final destas tendências disparatadas é a redução do poder relativo dos estados ocidentais estabelecidos, sobretudo os EUA. Pouco reparado por muitos, e obscurecido pela continuada retórica belicosa sobre a qual escrevi há duas semanas, a administração Bush de fato ajustou-se a esta realidade durante o segundo mandato do presidente. Desde 2005, numa estratégia articulada por Rice, ela [a administração Bush] deu um jeito não somente nos dois outros membros do “eixo do mal”, Irã e Coréia do Norte, mas também na maioria dos outros desafios, através de diplomacia multilateral – ainda que sempre insistisse que a opção do uso da força permanecesse sobre a mesa.

Esta estratégia foi minada pela concentração maciça de tempo e recursos no Iraque, e pela relutância em tomar parte em negociações bilaterais diretas com regimes desagradáveis, tais como o Irã, mas a política externa americana de 2006 é certamente distinta daquela de 2003, de quando a guerra contra o Iraque foi declarada. A Coréia do Norte testa mísseis capazes de carregar explosivos, explosivos estes que ela já está produzindo? Washington diz: volte pras negociações multilaterais! Irã retoma o enriquecimento de urânio? Washington diz: nós vamos levar isso pra ONU! Resbolá lança mísseis contra Israel? Washington diz: a hora diplomacia chegou!

Quando Jacques Chirac falou com gosto acerca da multipolaridade, lá em 2003, ele combinou duas afirmações: que o mundo é multipolar, e que isso é uma boa coisa. A primeira provou estar certa. A segunda tem que ser confirmada ainda. Para começar, importa bastante dizer se se trata de uma ordem multipolar ou de uma desordem multipolar. Ordem é um valor prestigiadíssimo nas relações internacionais. Ele evita que um monte de gente seja assassinada. No momento, nós temos uma desordem multipolar, e não é claro qual a forma que uma nova ordem multipolar pode tomar. Historicamente, a emergência de novas potências, acotovelando-se por uma posição, aumentou as chances de violência. Assim replicou a autoridade de dentro das fronteiras.

Nós, internacionalistas liberais, sonhamos com um mundo de estados amantes da paz, respeitadores dos direitos humanos, que trabalhem através de alianças e organizações internacionais dentro das estruturas do direito internacional. Imagine 192 vezes o Canadá. Algumas das potências que estão crescendo acomodam-se bem nessa visão: Canadá e Austrália, por exemplo, cujos recursos naturais os farão mais importantes no futuro; mas também, em boa medida, a Índia e o Brasil. A China e a Rússia definitivamente não o fazem, assim como não o fazem muitos dos atores não-estatais que ora fazem parte da política do mundo. Henry Kissinger sugeriu que a geopolítica da Ásia no século 21 pode parecer aquela da Europa do século 19, com as grandes potências fazendo de tudo por uma posição, usando a guerra como continuação da política por outros meios. Mas pode ser pior. Pode ser aquele tipo de rivalidade entre grandes potências numa escala mundial, mais terroristas. E corporações. E comunidades religiosas transnacionais. E ONGs internacionais. Não se sugeriu nenhuma equivalência moral entre estes diferentes tipos de atores, mas o que todos têm em comum é que eles não cabem certinho numa ordem mundial de estados.

O que nós estamos testemunhando por cima da fronteira entre Israel e Líbano pode ser apenas um prelúdio. Quando Tony Blair tiver há muito ido, e a presença Anglo-Americana no Iraque for reduzida a reles símbolo, nós poderemos nos lembrar dos antigos avisos de Blair – tão desgraçadamente levado para a guerra contra o Iraque – a respeito do perigo da combinação de armas de destruição em massa, terrorismo e estados debilitados. Proliferação nuclear – a proliferação de armas de destruição em massa em si – é um dos maiores perigos dos nossos tempos. Está lá em cima, junto com aquecimento global, e é tão difícil quanto aquele para ser administrado. Parece-me sustentável dizer que o risco de uma guerra nuclear é maior agora do que em qualquer outra época desde a crise dos mísseis de 1962, ainda que a escala da possível deflagração seja bem menor. Quem estaria disposto a apostar que nós não veremos uma arma nuclear lançada raivosamente nos próximos 10 anos? Eu não estaria. E você?

Então, tome cuidado com o que deseja. Em tese, multipolaridade é um avanço com relação à unipolaridade pela mesma razão que é sábio ter uma divisão bem ordenada de poderes numa democracia. Mas é um avanço apenas se vem como uma versão da ordem liberal – com tanto o adjetivo como o substantivo tendo a mesma importância. Se, no entanto, os eventos desta semana forem uma amostra do que vem pela frente, a nova desordem multipolar mundial pode ser bem desagradável mesmo. E então você poderá até sentir saudades dos velhos maus tempos da supremacia americana.

terça-feira, julho 18, 2006

E o lobo ameaçou, "Vou soprar"


Essa foto aí peguei no Estadão on-line. A mulher quis porque quis aproveitar o terreno e não é que ficou legal? A reportagem diz que virou ponto turístico. Merecido.

domingo, julho 02, 2006

Aham

Como você está vendo (você ou eu mesmo, deus sabe quem vai ler isso, talvez o mesmo público devoto às monografias de fim de curso) o blógui ainda usa os parcos recursos do blogger.com., quais sejam, nenhum. Prometo aprender alguma coisa de html pra pelo menos deixar o fundo da página em branco.

A noite de sábado começou errada, a "Copa de 98 II - A Missão" deixou todo mundo com cara de cu na rua, São Paulo vestida de cinza-domingo sem fim. Fomos eu, rafa PM e Rodrigo pro Santa Sara, na frente do Maksoud, e não sabíamos dali pra onde: entre BuBu-ceta, Vegas, d-edge e Glória, ficou a última, na Treze de Maio. Fui por insistência e paciência dos meus acompanhantes, a quem agradeço del hondo de mi corazón: a balada lavou minha alma, danci deveras, estou balançando até agora, tavam distribuindo Jack Daniels na faixa, aquela coisa. Tocaram o Atum (ou Sardinha, algo assim) e um gringo que tava chapadíssimo mas tocou animalmente bem. Depois o Rafa chegou no alienígena, que não entendia necas do que eu dizia.

Blog do domingo: http://www.benett-o-matic.blogger.com.br/. Se tiver tempo, vai pro saite do Observatório da Imprensa, fazia anos que não aparecia por lá.