domingo, setembro 10, 2006

Quando da abertura do lupanar


O PT conseguiu agarrar os pobres, além da classe média que se identifica com o Lula; o PSDB só vai consegui-lo daqui a quatro anos, com o Aécio, que atrai aos pobres como merda às moscas, em Minas pelo menos. Porque tudo não passa de imagem, a Sprite tava errada, sede não é nada num país em que 76% dos miseráveis crêem ser feliz (Folha, 10/09/2006). Como? A gente é mais conformado mesmo, resignado, só pode ser, porque afinal a novela todo dia me mostra que quem tem bunda vai a Roma, que é só sorte mesmo, que nada mudou em quinhentos anos, vai mudar nos próximos sessenta que eu tenho pela frente por quais sebastiães? Eu garanto o meu e rezo pelo do resto.
Tava lendo sobre o ideário dos republicanos que – não “derrubaram”, “derrubaram” é muito revolucionário pra gente – que substituíram a monarquia. A oligarquia da primeira república partilhava de um projeto de modernidade absurdamente autoritário, impostor (quem impõe é o quê?) da civilização trazida do velho mundo, e contra a qual os brasileiros revoltaram-se ferozmente onde havia poder pulverizado, daí a revolta do Quebra-quilos no Nordeste, da Vacina, debaixo mesmo dos narizes dos estadistas, na capital da República. A turba a agir contra seus próprios interesses, quanta insolência.
Passa o tempo, golpe atrás de golpe, e, aqui vem um grande parágrafo-parênteses, qual brasileiro é formado pensando que sua cidadania foi fruto de luta política, uma vitória social? Posso ter dormido em muitas aulas, mas não as de história. Teve a putaria desde a independência até depois da regência, com revolta em tudo que é canto, milhares de mortos e tal; durante a primeira república, o povo mesmo se rebelando, desorganizadamente, contrariado em seus valores; vem e vai GV, numa convulsão social, e impõe seu projeto; golpe de 1964 e mais autoritarismo, sob a qual chega a tevê, essa grande pasteurizadora de produtos sociais, homogeneizadora do povo; e desde o fim da ditadura, isso daí, essa leseira.
O J. Murilo de Carvalho diz que todos os pensadores brasileiros do fim do séc. XIX e começo do XX partilham esse autoritarismo reformador, e não sabem aproveitar “o exercício da fraternidade da tradição popular brasileira”, fundando um Estado paternalista, que contrata diretamente com o indivíduo através do leite que derrama das tetas da coisa pública. E alguém cogitou mudar as bases desse Estado? O Lula e o Aécio não representam a manutenção disso tudo? Hein?

sexta-feira, setembro 08, 2006

Chovendo no molhado na terra da garoa



O desfile de candidatos faz suscitar (pouquíssimos) debates quanto às assimetrias eleitorais, que o voto distrital obviamente não resolveria; afinal, que parlamentar não-paulista concordaria em entregar mais poder pra um único Estado? A desculpa atrás do voto distrital seria a representatividade – o eleitor teria maior facilidade em identificar seu deputado e ficaria mais atento às suas atividades –.

Desconfiemos: o William Woo não sai dos arredores da Liberdade, o Eivazian não sai dos arredores da Mooca, os candidatos do interior alardeiam o que fizeram por seus correligionários de Caipora da Serra e região. Se o voto distrital apenas evidencia o bairrismo já existente, qual é o real interesse dos políticos na mudança?

Às assimetrias. A lei complementar nº 78/1993 exige que nenhum Estado tenha menos de oito representantes na Câmara, e que o mais populoso não exceda 70. Assim, os mais de vinte milhões de brasileiros de onze Estados (TO, SE, RR, RO, RN, MT, MS, DF, AP, AM, AC) têm 88 deputados, um deles pra cada 230 mil cidadãos, enquanto os mais de quarenta milhões de paulistas têm 70, cerca de um pra cada 570 mil.

Sejamos justos por um instante. Divido 180 milhões de brasileiros pelos 513 deputados, e tenho 350 mil pra cada assento na Câmara. São Paulo fica com uns cento e catorze, e o Amapá, quase dois. Resolve? Pelo menos já sei por que não se discute mais o assunto.

quarta-feira, setembro 06, 2006

É o bicho-papão?


O que você acha que possa ser isso? Vou dar uma dica, é uma das modalidades das Olimpíadas... Fácil, né? Antes que se comece a sugerir que inventaram um novo esporte, "equitação de cavalo de pau", "o erre gigante comedor de cinco bolas" ou qualquer outra coisa do gênero, trata-se de "pentatlo moderno". Auto-explicativo. Não sei nem por que colocaram a legenda embaixo.
http://en.beijing2008.com, a partir de artigo no El País.

terça-feira, setembro 05, 2006

Tô pê da vida


“Você jura pra mim que não vira michê?”, foi a descabida pergunta ouvida pelo autor deste blógui da boca de um preocupado colega inglês. O descabimento deve-se menos à minha ostensiva falta de preparo físico do que a quaisquer outras razões, como o “ultraje” que a proposição causaria – porque se o brasileiro esteve em Londres por tempo suficiente, certamente conheceu um conterrâneo ou conterrânea dedicado ao ofício, mesmo ignorando o fato –. A coisa é de uma banalidade admirável, e qualquer revista pra viados traz um quarto dos classificados preenchidos por hot Brazilians. Mas aos acompanhantes brasileiros acompanham europeus orientais, latino-americanos de toda sorte, asiáticos, enfim, o mundo.

Com o mercado inchado, surgiu uma proposta de maior regulamentação pelo governo e os jornais ingleses debruçaram-se sobre o assunto. Li uma das críticas de Joan Smith, no The Independent (30/12/2005, p29), onde a feminista alega que 95% das prostitutas de rua usam heroína ou crack, vêm provavelmente de famílias pobres e mal-estruturadas e que muitas delas são traficadas de países subdsenvolvidos e forçadas a venderem sua intimidade. Como se ousa dizer livre escolha dessas mulheres? Ela chuta o balde e compara-as às crianças vítimas de pedofilia e defende que os homens que se servem de prostitutas de rua tenham suas licenças de motoristas cassadas.

Tudo isso veio à lembrança por um artigo do El País, que tratava do sucéssio que a Daspu fez na feira de Prêt-à-Porter de Paris e da história da empresa, criada pela ONG Davida sob a iniciativa de uma socióloga. Os links desses textos todos seguem abaixo. Gostei do assunto, posto mais a respeito à frente.


http://www.elpais.es/articulo/sociedad/acera/pasarela/elpporsoc/20060905elpepisoc_10/Tes/

http://www.davida.org.br/

http://www.daspu.com.br/